Na contramão do partido, Bassuma enfrentará Comissão de Ética
A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) acatou esta semana uma representação da Secretaria de Mulheres, datada de 8 de maio, através da qual foi solicitada a instalação de uma Comissão de Ética para avaliar a atuação dos deputados Henrique Afonso (AC) e Luiz Bassuma (BA), no que diz respeito ao descumprimento de resoluções do partido acerca do aborto.
Em setembro de 2007, após muita polêmica, o 3º Congresso Nacional do partido consensuou sobre a defesa da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento de todos os casos no serviço público. Isto significa que, nas diferentes instâncias em que atuam, petistas devem respeitar esta direção, e a demanda é pela expulsão de quem não acatar as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres.
Esta não tem sido, de modo algum, a postura de vários deputados, com destaque para Luiz Bassuma, que afronta o partido e a Secretaria de Mulheres do PT com sua ação incisiva no Congresso Federal. Ele tem defendido e apresentado projetos de lei retrógrados, e atualmente presidente a Frente Parlamentar pela Vida - Contra o Aborto. Esta inserção lhe conferiu ontem, 28, legitimidade para discorrer contra a liberalização do aborto por anencefalia, no STF, indo mais uma vez na contramão das diretrizes partidárias.
Sete testemunhas deverão ser ouvidas, e materiais gravados poderão servir de prova para atestar posturas antiabortistas. Para as petistas que empunham esta bandeira na esturtura partidária a vitória é simbólica. Entretando, não há ilusões. O fato da Comissão Executiva acatar a demanda das mulheres é um começo, mas as pressões serão fortes para barrar o processo, cujo desfecho dependerá do jogo de forças dentro do PT, o que em ano eleitoral ganha um adicional de complicação.
Angela Freitas/ Instituto Patrícia Galvão
Publicado em August 29th, 2008
7 comentários em " Na contramão do partido, Bassuma enfrentará Comissão de Ética "
Prezadas, essa é uma grande vitória das “feministas pra valer” que estão dentro do PT!!! Sabemos porém, que ainda teremos uma guerra pela frente, mas com o apoio das feministas e do movimento de mulheres brasileiro estamos confiantes que conseguiremos a expulsão desses parlamentares que ainda estão no PT. Acho que todas as mulheres comprometidas com a luta pela maternidade livre e a auto-determinação reprodutiva das mulheres, devem enviar emails para a Presidencia do Partido dos Trabalhadores(presidencia@pt.org.br) e para a Ouvidoria (ouvidoria@pt.org.br )apoiando essa atitude da instalação da Comissão de Ética, dessa forma PT verá que a nós feministas petistas estamos juntas com o restante do movimento de mulheres e movimento feminista nessa luta!!
Saudações feministas,
Rogeria Peixinho
Militante do Partidos dos Trabalhadores do Rio de Janeiro
hum, acho que meu primeior comentario não foi.
vamos tentar de novo:
e se um partido que escolhese ser contra a descriminalização do aborto expulssa-se um parlamentar que fosse favoravel? tb seria uma atitude democratica?
Claro que sim, Anderson.
Parte da democracia é que os partidos tenham diretirzes claras, dentro das temáticas que considere essenciais, e que filiados/as sigam à risca esta plataforma. Assim deveria funcionar, inclusive para facilitar a escolha do/a candidato/a, na hora de votar.
Angela
Obrigado pela resposta.
Não é provocação, é só p/ lembrar que democracia não é só quando concordam conosco.
Valeu Anderson… mas… você tinha alguma dúvida a respeito do espírito democrático deste espaço?
Angela
Não do espaço em si, Angela, ou não estaria aqui. a internet é ampla demais p/ eu perder tempo num local que não respeitasse.
Apenas quiz lembrar, não a vcs, mas aqueles que visitam esse espaço, que numa democracia, até quem defende ideia com que não concordamos tem direito a expolas e defende-las.
É bom lembrar que mesmo quando a interrupção da gravidez for descriminada, quem for contrario tera espaço p/ lutar contra ela, até mesmo pedindo mudança na lei.
essas pessoas não podem ser vistas como anti-democraticas por si só, ja que elas tb estão exercendo seu direito de se manifestar.
espero ter me expressado direito.
Oi Anderson,
Portugal e Cidade do México são bons exemplos do que você está dizendo.
Em Portugal o aborto foi legalizado e vários grupos antiabortistas lutam para reverter a lei. Este direito lhes está sendo garantido, na democracia portuguesa.
Na cidade do Mexico foi legalizada a interrupção da gravidez por opção da mulher, até a décima segunda semana de gravidez, após um debate acirrado e uma votação importante na Assembleia Legislativa do Distrito Federal. Como você poderá ver na matéria que publicamos recentemente, grupos antiabortistas estão protestando e tentaram reverter a lei. O caso foi a julgamento na Corte Nacional, e a lei foi mantida. Tudo dentro do espírito e regras democráticas.
Pessoalmente, acho mais democrática a descriminalização, porque dá o direito de optar, sem obrigar ninguém, cabendo ao Estado garantir serviços de qualidade para quem deseja ou precise do serviço, evitando os riscos da clandestinidade.
Angela
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