Grito dos Excluídos com ala favorável ao aborto
Com matéria de José Maria Mayrink e Eduardo Kattah, o Estadão Online noticiou hoje (07/09) a manifestação do Grito dos Excluídos, relatando que durante o protesto integrantes da Marcha Mundial das Mulheres carregaram placas pela legalização do aborto:
Em algumas faixas, estavam os dizeres: ‘Nem papa, nem juízes, as mulheres decidem’. As manifestantes lembraram ainda que em 54 países o aborto não é considerado crime”.
O Grito dos Excluídos tem acontecido todos os anos no Dia da Independência, em diferentes cidades. O deste ano critica governo Lula por ‘esquecer população brasileira’.
O evento tem como promotora as pastorais sociais, vinculadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em conjunto com vários movimentos sociais.
A manifestação começou com uma missa celebrada pelo bispo auxiliar de São Paulo e presidente da Comissão Pastoral do Serviço, da Caridade da Justiça e da Paz da CNBB, D. Pedro Luiz Stringhini. Saiu da Praça da Sé com cerca de 3.500 pessoas (segundo a Polícia Militar) e rumou ao parque da Independência, no Ipiranga, onde discursaram quatro entidades: Movimento dos Sem Terra, Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Movimento Negro Educafro e comunidades de base. Entre as bandeiras partidárias estavam as do PSOL, PSTU e PCdoB. Os três partidos, assim como o Conlutas, estão envolvidos no debate e no trabalho político rumo à legalização do aborto no Brasil.
Mulheres de Olho conversou com Nalu Farias, da Coordenação Nacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), para saber como foi a presença da temática do aborto, em um evento onde a igreja católica tem papel central:
Já fizemos isto outras vezes. Quem organiza o ato está acostumado. Este ano nós não marchamos, fomos direto para o Ipiranga. Entretanto algumas companheiras participaram desdo o início, na Praça da Sé. Uma destas, vinculada à luta por moradia, representou a MMM no ato inicial onde falou a respeito do aborto, sem problema. É verdade que algumas pessoas perguntavam se estávamos com abaixo-assinado em favor do aborto e demonstravam que não assinariam. Como um padre, por exemplo, dizendo que precisávamos pensar melhor, porque o feto também é dono de seu corpo. Quem organiza este evento são as Pastorais Sociais, que não se manifestam a favor, mas também não praticam uma militância contra. Fora essas pequenas abordagens, não houve problema.
Angela Freitas
PS: Clique aqui para ler mais sobre as pastorais sociais.
Publicado em September 7th, 2007
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